quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Não pára

Chacoalhava demais aquele ônibus e aquele moço sentado ali do lado com tênis vermelho não parava de olhar. Uma sujeira, talvez? Eu só sei que todo mundo que via pela janela era muito esquisito. Umas crianças gritando, uma mulher com roupas feias puxando o cabelo da filha. O que tá acontecendo?

Anda um pouco. Mais um pouco. Se lembra de uma coisa que aconteceu há tempos. Se lembra de uma professora que teve no jardim. Anda mais um pouquinho. Tem alguma coisa estranha acontecendo, é sério! Eu não sei o que que é, mas o clima por aqui já não é mais o mesmo. Essa música que tá tocando estáme deixando esquisita. Me dói um pouco a cabeça também. Acho que a boa é desligar o ipod, mas eu não quero me mexer muito. Os movimentos bruscos me assustam. Não quero.

Alegria. Pensa em março. Como será bom esse mês! Tudo por causa do dia 22? Pode ser. Aliás, pode ser que nem seja tão bom assim o mês, mas o dia 22 vai ser, com certeza. Se até lá estiver viva, é claro. Que horror. Eu odeio esse papo de "não sei nem se vou acordar amanhã". A gente sempre acorda amanhã. Ou não, é verdade, mas é bom pensar que sim.

Senta a bunda na cadeira laranja. Eu não queria estar aqui agora. Mas eu também não queria estar em outro lugar. De vez em quando acho necessário desaparecer. Não, não ficar longe de todo mundo, mas desaparecer de verdade. Isso não é possível, infelizmente. Mas eu to me lembrando agora de como o dia 22 de março vai ser bom. Luzes, muitas luzes. Pessoas, muitas pessoas. Com certeza muito calor também. Já com 20 anos. É tempo hein? Eu ainda me lembro do dia em que eu fiz 10. Uma década era coisa demais. Acho que mais pelo peso da palavra do que pelos anos em si.

Deita essa cabeça naquele travesseiro então. Deita e fica por lá durante um tempo só pensando no que já foi e no que vai ser. Depois acorda com aquela sensação de estar mais bonita. Os olhos inchados de sono ainda e o cabelo meio despenteado. Assim que é bom.

Agora pode parar de escrever desenfreadamente. Talvez nada disso faça sentido. Talvez faça também. Aquele menino chegou aqui agora e cortou todo o pensamento. Chega a hora de encerrar!

domingo, 23 de novembro de 2008

Não se vá

Estava eu em um mar escuro, brincando com ratinhos brancos, quando de repente o mundo apagou a luz. Mandem acender, por favor? É que está dando medo agora que eu não consigo ver nada. Essa sensação de mar com ratos no escuro total não é nada agradável. Aos poucos a luz vai se acendendo e o desespero passa um pouco. Mas só até eu entrar naquele elevador cuja bateria (?) estava prestes a acabar. Anda logo antes que todo mundo caia aqui e morra. Ah e não esqueça de pegar a comida do cachorro e colocar na lavanderia.

De repente eu acordei chorando por uma coisa que na verdade não aconteceu, ainda bem. O coração batia tão rápido que parecia até que ia parar. Estranho também que parece que em toda essa loucura, você tava do meu lado, acompanhando tudo.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Não sei fazer títulos?

Minha casa tinha mudado de lugar. Era com se ela girasse e sumisse da minha rua. Eu me sentia perdida e com medo de sair do meu quarto e não conhecer nada lá fora. Ao mesmo tempo em que sentia medo, me via em outros lugares, olhando para as minhas milhares de paixões platônicas como se essas pessoas fossem perfeitas e estivessem bem perto de mim.

Os meus sonhos são embalados por um ritmo infernal. Eu gosto deste ritmo, me emociona.

O cabelo cheirando a cigarro encosta no travesseiro. Imediatamente um zumbido e a casa gira como no sonho. De repente alguém aperta o botão de desliga e a sensação dos meus pés tocando o lençol da cama é maravilhosa. No dia seguinte parece que dormi por 19 horas seguidas e por causa disso meu cérebro reclama. O zumbido continua e mais tarde é tudo vazio. Chega a doer de tão vazio. É uma opção, mas sei lá, eu não queria que fosse assim. Quero desabafar com o mundo, mas não me dá vontade de falar com ninguém. Se ele viesse falar comigo eu ficaria feliz. Mas só ele! Mais ninguém!

Eis que começa a tocar "doce solidão uo uo uuu". É a vida!