sábado, 31 de janeiro de 2009

Parabéns

Acordei pela manhã e me perguntei que dia era? Logo me esqueci dessa pergunta, porque realmente não me lembrava que dia era. Fui então ao banheiro, fiz todas as coisas que se fazem num banheiro quando se acorda. Saí. “Mããããe?”... “Paaaaai?”... “Rafaaaa?”

Ué, mas que diabos? Cadê as pessoas? Devem estar na minha avó! “Ô vóóó”, nada. Nem adianta eu chamar pelo meu avô então. AH, agora lembrei, é meu aniversário hoje e cadê essas pessoas? Mas que saco. Vou ligar pra alguém então. Mas que estranho, o telefone ta mudo. Celular? Não liga mais!

Começo a ficar desesperada pela falta do contato com as pessoas no dia do meu aniversário, então dou um viva à Internet, porque lá é certeza que encontro com alguém. Ah, ótimo, a Internet agora também não conecta. Sim, mas que legal passar o dia do aniversário nesse desespero. Saio pra rua? Alguém? Ninguém.

Estranho que a casa ta toda suja, parece que não vive gente aqui há anos. Mas como isso? Eu juro que eu vi todo mundo aqui ontem mesmo. Devem estar todos me preparando uma festa surpresa então, não é possível. E todos se esforçaram pra que eu nem suspeitasse e achasse, inclusive, que eu morri, voltei em espírito muitos anos depois, e que ninguém mais vive aqui na terra.

Eu não vou cair nessa, pessoal. Vou escrever no meu caderninho verde alguma coisa pra mim mesma pra me sentir bem, amada e tal. AH! Pelo menos o caderninho verde ta aqui. Eu o abri numa página que nunca tinha visto, que coisa. Eu não sabia dessa mensagem aqui.

“Quanto tempo será que vai levar pra você ver que eu escrevi nesse seu caderninho verde todo rabiscado? Talvez você leia já bem velhinha, ou amanhã mesmo. O fato é que eu o encontrei no chão outro dia e soube que era seu, porque você colou essa etiqueta com seu nome e endereço de uma velha carta na capa do caderno. Então eu te escrevi isso e o coloquei de volta na sua bolsa, largada ali naquela mesa em frente à loja de doces. Mas antes queria te dizer uma coisa. Quanto tempo mais você vai me olhar sem dizer nada? Eu também não vou dizer, eu to esperando que você faça isso. Só espero que isso não aconteça apenas quando encontrar essa mensagem no caderninho verde, porque isso pode demorar anos, e talvez seja tarde demais. Um beijo. To esperando (05/06/2007)”

Eu quase desmaiei e pensei em ligar, mas a porcaria do telefone não ta funcionando. Péra um pouco, que eu ouvi alguém entrando. Oi Pai. Você não vai dizer nada? “Oi?” Puta merda, pai. É meu aniversário hoje! Ok, ele tinha se esquecido. Assim como todos, não era apenas uma pegadinha. Esqueceram de verdade. E eu não sei porque a casa ta tão suja. Saíram pra ver alguém que arrumasse o telefone. Tudo bem, eu não ligo de todos terem se esquecido de mim no meu dia. Pelo menos é como se o que mais me importa tivesse se lembrado. Eu preciso falar algo pra ele. Eu sei que foi ele, apesar de não ter assinado no caderno! EU PRECISO.

Agora todos estão me dando parabéns, eu dou uns sorrisos e agradeço. Ganhei um boneco, eu gostei, mas sei lá, não liguei. Obrigada pelos parabéns, gente. Mas ta faltando um!

sábado, 24 de janeiro de 2009

O homem feio

Eu cheguei no tal show e estranhamente não tinha ninguém na rua. Nenhuma fila, nenhuma sujeira no chão, nenhum vendedor ambulante. Árvores enfeitando a rua, que na minha imaginação era cheia de prostitutas e mendigos. Não, nada, só árvores, uma brisa e folhas no chão. Ué, cadê todo mundo? Não é possível que não tenha filas para entrar. Não é possível! Que aconteceu? Calma! Tem uma portinha logo ali. Eita, todo mundo já entrou, vamos correr então. Ninguém recolhia ingressos, ninguém falava nada e o mais incrível era o silêncio que na realidade seria impossível em uma multidão.

Muito gente, como se fosse um efeito especial. Ninguém se mexia, muito menos falava, por isso o silêncio já dito antes. O único som vinha de mim mesma e das pessoas que estavam comigo. Mãe, pai, irmão e alguém que eu não me lembro me acompanhavam. Aos poucos estes também pararam de falar e eu exclamei quase desmaiando de emoção: "Meu Deus, eu acho que to vendo ele ali atrás da cortina. MEU DEUS! MEU DEUS!"

Pronto, agora entrou no palco, mas gente, o silêncio continua, que coisa estranha. Então cantou umas duas músicas jamais cantadas. Pelo menos eu nunca ouvi e eu tenho todos os cds. Tenho certeza que essas músicas não existem. Eu estava na frente do palco, porque ninguém quis ficar por ali, apesar de o lugar estar tomado de gente. Aquele homem me dava medo, me intimidava e toda vez que os olhares se cruzavam eu dava um jeitinho de desviar, porque eu estava apavorada. Sim, apavorada, essa é a palavra.

O homem então desceu do palco e brincou com umas pessoas que estavam por li, imóveis. Talvez ele estivesse angustiado como eu com todo aquele monte de pessoas imóveis. Por incrível que pareça o tal era menor que eu. Aliás, menor que muita gente, não passando de 1,20 de altura. Algo assim. E ele continuava a me olhar em certos momentos. Era como se quisesse dizer algo, não sei, sei que me intimidava . Acordei em seguida pensando: "que horas são?" Acho que eu poderia dormir mais, mas e se for meio-dia? Não sei, meu celular não está aqui...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O emprego

No penúltimo post eu comentei sobre um trabalho que talvez rolasse, não? Pois bem, eu não cheguei nunca a falar aqui se rolou ou não. Tudo bem que isso não tem absolutamente nada a ver com o resto do blog, mas como já faz uma semana que eu escrevi aqui pela última vez e no momento não tenho outro assunto, é sobre isso mesmo que eu vou falar. Talvez por se tratar de um assunto desses ninguém se interesse por ler, mas acontece e eu não posso fazer nada.

Sim, estou trabalhando, como algumas pessoas já sabem. E por causa disso acordo todos os dias ansiosa e com medo de ir pra lá. É uma coisa que me ocorre desde que eu era criança, quando não queria ir pra escola. Não tenho motivos para isso, até porque o trabalho é tranquilo, as pessoas são legais e algumas amigas minhas também estão lá. Eu realmente não sei porque isso me acontece todos os dias.

Trabalho no Ipiranga e para chegar lá é uma lástima (só minha vó e eu falamos isso). O ônibus é horrível e quente. Fora que todas as pessoas olham pra minha cara como se eu viesse de outro planeta. Será que isso é tão evidente assim? De repente é...

Enfim... lá a gente trabalha para o governo e para a prefeitura. Ou seja, Kassab e Serra, meu amores. Acho que basicamente é isso. Afinal, quem se interessa por saber o trabalho de outra pessoa? Eu acho que eu não me interessaria muito, mas como preciso tirar aquele último post do topo do blog...

E eu li na Folha de S. Paulo ontem que algumas empresas avaliam seus candidatos à vaga pelo blog. Se alguém lesse o meu pra me contratar sem dúvidas eu seria eliminada hahaha Quem precisa de alguém dramática desse jeito? É isso ai. Tchau!

PS1: Meu horário de trabalho é das 15h às 21h! Isso significa que se você precisa falar comigo neste horário, só o celular mesmo.

PS2: Não, não consigo abrir o meu e-mail lá, por isso digo que só o celular mesmo. Outra opção é me mandar uma mensagem via msn, que chega diretamente no meu celular, mas pra isso você tem que cadastrar o seu lá, e você vai pagar mais ou menos 31 centavos por isso.

PS3: Ninguém vai querer falar comigo nesse horário e esses PSs foram em vão né? OK!

PS4: Minhas aulas voltam dia 9 de fevereiro.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

É estranho

Mais uma noite chegou . Mais um dia quente passou e mais um dia que eu fiquei pensando se você lê todas essas coisas que eu escrevo. A maior parte delas, escrevo pensando em você, no que você pode achar, se vai gostar, se não vai. Mas eu não tenho respostas. Eu não tenho o menor contato. Eu só tenho a vontade de saber se você se lembra que eu existo, se lembra de alguma coisa, de alguma roupa minha, de algum sorriso que eu tenha dado.

Aparentemente foi um dia feliz, mas parece que tudo desaparece quando estou aqui olhando pra essa tela só esperando por algum movimento. Uma palavra, um oi, um tudo bem, uma preocupação, qualquer coisa. Um pedido, que seja.

Já cansei de achar que meus pensamentos são todos em vão e acredito de verdade que não é possível isso durar tanto tempo. Não existe um só dia que eu não pense em você. Sei que essa pessoa aqui dentro da minha cabeça na verdade não existe. É tudo uma invenção minha, mas o que eu posso fazer se eu não consigo me desprender dessa minha invenção que me faz, por exemplo, ficar mal quando saio pra me divertir. É impossível não te imaginar ao meu lado em todas as situações que eu passo. Eu simplesmente não consigo me esquecer daquele sorriso indeciso quando você estava passando, ou simplesmente de você passando.

Acho que algumas pessoas lerão isso e tentarão adivinhar de quem eu to falando, mas isso certamente é impossível, porque eu to falando de alguém que na verdade não existe, a não ser na minha cabeça. É estranho.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

A veia do lado esquerdo da testa

Passei a noite aqui pensando que queria postar um texto enorme no blog. Pra quê? Eu não sei, é apenas uma vontade de escrever sem parar, mesmo que o que eu esteja escrevendo não faça sentido.

Eu então tento me concentrar, mesmo com a música que toca aqui e que vez ou outra me atrapalha o pensamento. Peço que me esperem um pouco no msn, porque agora preciso escrever.

De tempos em tempos tenho essa vontade estranha de escrever até que o número de caracteres se esgote. Aqui não existe isso, né? Ok, não ligo, vou até onde minha cabeça me deixa, mesmo agora não tendo o que dizer. Nada de muito interessante aconteceu. Um trabalho que talvez aconteça? Bom, isso é importante, mas como nada é certo, não é bom ficar falando. Não queria apagar nada do que eu escrevesse, nada que saísse errado, mas eu não consigo e até agora já apertei o botão de apagar umas 4 vezes.

Ok, chegando aqui parei e pensei o que poderia ser o meu próximo assunto. O frio em tempo de calor? Tempo é sempre um assunto, não é bom, mas é um assunto, só que também já não faz mais sentido, porque começa a esquentar. Aliás, quente no momento está minha perna, já que este computador esquenta horrores e está no meu colo. Daqui a pouco eu não o aguento mais e volto pra mesa. Que rotina mais desinteressante, não? O despertador toca todos os dias e eu todos os dias desligo ele e finjo que nada aconteceu. Durmo por mais umas duas horas, sonho com mil coisas e finalmente acordo. Toda vez penso a mesma coisa: "mas que droga, eu dormi demais de novo e já preciso almoçar". Depois do almoço eu geralmente nada tenho a fazer. Então eu permaneço nesse computador esperando alguém vir falar comigo, mesmo que não tenha nada de interessante pra dizer. Apesar disso, tenho me sentido feliz nesses últimos dias. São os ares de janeiro, com certeza. Além dos planejamentos pro mês! Muitas coisas a fazer... Rir faz bem!

Hoje meu pai me perguntou: "Até quando você vai colocar essa perna em cima de mim e esperar que eu fique passando a mão no seu pé?". Pergunta interessante a do meu pai. As pessoas não devem saber que desde muito tempo eu tenho essa mania. Amo que passem as mãos nos meus pés. É ótimo e relaxa... Então eu respondi que até quando eu quiser. Ou até que outra pessoa faça isso. Enfim...

Começou a tocar agora The Last Shadow Puppets. Já ouviram? É o Alex Turner, do Arctic Monkeys com um outro cara ai. As músicas são muito legais e algumas parecem trilha de filme. "In The Heat Of The Morning"... Quanto tempo faz que não vejo uma manhã? Desde que as aulas terminaram, talvez. Mas logo elas voltam e aí eu vou poder ver o dia amanhecendo do ônibus de todos os dias. Sempre as mesmas pessoas, o mesmo motorista, o medo nas curvas próximas ao zoológico.

Acho que me cansei de escrever agora e tenho medo que em dois segundos todas as letras do meu notebook se apaguem!

Agora que acabou, percebo que nem escrevi tanto. E que de alguma forma as coisas fazem sentido. É desse jeito que eu penso, uma coisa imendada na outra enquanto a veia do lado esquerdo da testa não se cansa de pular.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Novo

- Alô!
- Oi, tudo bem?
- tudo sim... vem aqui hoje!
- aqui aonde?
- na minha casa oras... não tem ninguém além de mim aqui hoje...
- mas eu não sei aonde você mora (já aceitou)
- eu te busco em meia hora!
- um beijo!
- outro!

- entrou com o pé direito?
- como se eu reparasse nessas coisas.
- toma cuidado ai com as coisas do dono da casa!
- ué, mas a casa não era sua?
- só hoje! você se importa?
- o que você acha? (não, não se importa)

- mas que cama gost...



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- sabia que eu adoro quando vc não faz a barba?
- sabia!


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Um feliz 2009 a todos. Sinto que esse sim!