sábado, 21 de fevereiro de 2009

Misturado com sujeira


Me sentei à mesa daquele lugar e pedi um café. Eu não gosto de café, mas eu pedi um. Quando o café chegou eu não o tomei, fiquei apenas sentindo aquele seu cheiro, que me lembra muito fumaça de cigarro.

Era verão, mas fazia frio. Eu então com o meu casaco preferido fiquei sozinha olhando o vidro daquele lugar. O café chegava a esfriar e nenhum gole tinha sido dado. Eu não gosto de café. No vidro escorriam as gotas da chuva que caía lá fora.

Uma música embalada por um piano começou então a tocar e um trio chegou e se sentou na mesa ao lado. Falavam sobre suas fantasias de carnaval em um baile x que foram na semana passada. Falavam também, rindo bastante, de um garoto qualquer que tinha trabalhado a semana toda enquanto todos eles viajaram e foram ao tal baile com as tais fantasias.

As gotas continuavam a escorrer no vidro daquele lugar e faziam as folhinhas das plantas lá fora aparecerem embaçadas. Um gole no café finalmente foi dado e a sensação foi de "estou engolindo fumaça". Talvez um pouco de fumaça de fato tenha sido engolida, porque uma senhora fumava ali por perto.

A chuva parou, o café acabou e eu então saí do lugar. Andei até me cansar, sozinha, apenas com o casaco preferido que me aquecia naquela dia atípico de frio em pleno fevereiro. Ao atravessar uma rua encantei-me com malabaristas de farol, que pediram um trocado a um senhor barbudo e mal humorado, que dirigia aquele carro grande e preto. Ele nada deu.

Segui meu caminho até que, cansada, sentei-me no chão molhado, molhando assim minha calça, gasta pelo tempo de uso. Eu estranhamente não me importei. Apanhei uma florzinha que estava perdida no chão e senti seu cheiro. Algo doce misturado à sujeira da rua. Foi aí que eu entendi tudo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

8h15

Eu vi um par de pedreiros quebrando uma calçada e fiquei impressionada com o ritmo da batida deles. Eu vi uma criança chorando na rua e fiquei imaginando qual era o motivo do choro. Eu então vi a mãe dessa criança, jovem, e pensei em como ela contou aos pais que estava grávida aos 16.

Eu senti um cheiro de grama cortada e tentei adivinhar quando ela havia sido colocada ali. Olhei pro homem que cortava essa grama e pensei em quantos filhos ele poderia ter. E se ele os sustentava cortando grama. Uma pessoa me olhou no ônibus e sorriu, e então eu fiquei curiosa pra saber o que ela pensou de mim naquele momento.

Eu ouvi uma música vindo de uma pessoa alheia e quis saber se essa música marcava algum momento importante de sua vida. Uma mulher passou por mim com uma tatuagem de um bebê nas costas e eu quis saber qual o nome do seu filho. Eu me sentei em um banco qualquer e imaginei como era a pessoa que se sentou ali antes de mim.

Ouvi uma notícia no trabalho e pensei em como quem a escreveu pensou em seu primeiro parágrafo. Ou mesmo como é que essa pessoa parou um dia e falou: Ok, farei tal faculdade.

Ando prestando muita atenção nas pessoas. Acho que pela falta de contato que tenho tido nos últimos dias, com o início da faculdade junto com o trabalho. Nunca me imaginei dizendo isso um dia, mas os dias antes longos agora são bastante curtos. Não há mais tempo. Oito e quinze da manhã eu comecei a escrever isso, porque pela primeira vez nessa semana tive um tempo maior que meia hora livre. A professora da primeira aula nos liberou e aqui estou, em um laboratório qualquer da Metodista tentando imaginar a vida de cada pessoa que passa por mim, se senta ao meu lado, ou me olha pelo vidro.

Me lembro agora daquela música sem artista definido que diz "se você tiver um tempo livre gaste comigo". Faz todo o sentido.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

No Surprises

É ótimo quando se está feliz, não? Rir de qualquer bobagem, cumprimentar pessoas na rua, sorrir para desconhecidos, abraçar gente estranha no escuro (oi?).

Aí você chega em sua casa e bota uma música pra ouvir. Então o seu itunes (ou o que quer que seja) escolhe Radiohead. Espera, alguma coisa está errada. Radiohead é triste, apesar de absurdamente bom. "No Surprises" te leva lá pra baixo em questão de segundos. É incrível. "No alarms and no surprises". É perfeito.

A música dura infinitos 3 minutos e 49 segundos. Eu gosto, é verdade, mas em tempos como este essa música é totalmente desnecessária. Então por 3 minutos e 40 segundos eu fico em depressão. Me sinto mal, sinto saudades, os olhos chegam a lacrimejar. Só mais 10 segundos e pronto. Tudo volta ao normal. UFA!

Março será o mês pra esse misto de emoções... Espero que mais alegres do que tristes, apesar de no dia 22 de março eu achar que desitratarei por causa das lágrimas. Vanguart, Los Hermanos e Radiohead juntos é muita emoção pro meu coração.

Me perdoem pela falta de posts por aqui? Não tenho sabido o que escrever, tanto que hoje quis vir aqui e esrever alguma coisa interessante e só saiu isso. Um post também totalmente desnecessário, assim como a música hoje. Enfim... Amanhã começam minhas aulas e eu não to com o menor saco pra isso. As aulas torturantes de TV vão voltar. PUXA VIDA, que alegria.

Chega porque já não faz mais sentido... Começou No Surprises de novo.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Alegria


Posto porque meu aniversário já passou.
Porque o último era triste e não condiz nem um pouco com o momento atual.
Acho que qualquer dia morro de tanto rir.
Me perdoem pelo post inútil.
Acho que passo por um momento meio bebado, como o homem aí, que não está mais perdido na vida. Sem dúvidas se encontrou!
Ali do lado é uma tentativa de peteca, não sei...