sexta-feira, 27 de março de 2009

Maldita rotina

5h27. Marcelo Camelo. Chinelo. Passos até o banheiro. Prender o cabelo. Olhar a cara de sono no espelho. Ligar o chuveiro. Ver a temperatura. Molhar. Bucha. Sabonete líquido. Água. Desliga. Escova. Pasta. Sabonete pro rosto. Arrepio com a água gelada da torneira. Passos até o quarto. Armário. Desodorante. Creme. Roupa. Meia. Tênis. Lápis e rímel.

Passos até a casa da vó. TV. Globo Rural. Nescau. Leite. Pão. Margarina. Salame. Calça suja de pão. Escada. Escova. Pasta. Espelho. Escada. Ipod. Bilhete Único. Gloss. Chiclete. Ponto de ônibus. Sinal. Em pé. Saúde. Ponto de ônibus. Bom escolar. Ônibus azul. Catraca. Segundo banco do lado direito na janela. Dez músicas. Cheiro de zoológico. Mais músicas. Aperto. Sinal. Desce.

Passos até a entrada da faculdade. Carteirinha da faculdade. Catraca. Subida. Banheiro. Xixi. Escada. Sala. Senta e espera acabar. Amigos no muro. Aula. Senta e espera acabar. Desenhos no caderno laranja. Fim.

Amigos no muro. Desce. Carteirinha, catraca, passos até o ponto. Ônibus grande. Sono profundo. Umas músicas. Desce. Passos até em casa. Almoço. Computador. Sono de uma hora e vinte. Acorda. Ônibus que vai pro centro. Assento fedido. Calor. Trabalho. Muito calor. Dor de cabeça e nos olhos. Padaria. Calor. 21h. Pai. Casa.

Janta. Banho. Secador. Computador. Depressão.
Justificar

(inspirada em um texto que ouvi na aula da Marli - não me lembro o nome da aula - no primeiro semestre)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Quero que se deite comigo pensando em uma coisa e que acorde com a certeza de que estava totalmente errado. Que se deite acreditando em minha ingenuidade e acorde com o som de qualquer frase interessante. Quero que se deite com a menina e acorde com a moça. Que se deite sem a certeza de que não me quer e que acorde com vontade de se casar.



Que surpreenda!

Que se envolva!

Que queira!



Querer definitivamente não é poder.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Não tem

Entrei no quarto para começar a preparar a mudança. Algumas caixas de papelão me aguardavam. Dentro delas iriam todas as minhas lembranças daquele lugar, aquele canto, aquele refúgio. Me senti triste por abandonar as 4 paredes verdes, o velho carpete cinza e a porta barulhenta que às vezes não fechava.

Depois de meia hora olhando todas as coisas comecei a recolher as roupas, coisas, brinquedos, cds. Tinha algo preso na minha garganta que nem com a mais forte das tosses eu conseguia me sentir bem. Os olhos já ardiam vermelhos por pensar em deixar o quarto. Por pensar em olhar para o quarto pela última vez.

A cada objeto que peguei me lembrei do quanto ri e chorei deitada na cama alta, ou sentada na cadeira laranja. Pensei em desistir de tudo. "Eu não preciso sair, eu gosto daqui", era o que dizia parte do meu cérebro, enquanto a outra fazia com que eu continuasse a encher as tais caixas de papelão, já um tanto pesadas.

Ao final da arrumação conferi se tinha pego tudo. Eu sentia que estava deixando algo para trás. Me lembrei então que havia deixado em baixo da cama alguns sentimentos antigos. Em cima da mesa algumas marcas de lágrimas já secas. Dentro do armário um pouco de alegria e bem no centro, no chão, toda a minha vida.

Mesmo assim eu fui e uma lágrima acabou de escorrer pela minha bochecha direita.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Recíproco

Estava eu de jeans, camiseta branca e muito calor no corpo. Eu então te avistei e disse: "É recíproco". Você se virou e eu também e cada um pro seu caminho foi.

FIM.

(um viva pra subjetividade)