quinta-feira, 30 de abril de 2009

Drama no hospital

Deitada naquela cama de hospital pensou que estava na hora. Olhava para a agulha espetada do braço e o soro entrando na veia do braço direito com medo do pior. Pensou na despedida enquanto ouvia a música mais triste que conhecia no fone de ouvido. O frio era terrível e os pés não paravam nem por um segundo de tentar aquecer o resto do corpo, já cansado da posição.

Despediu-se de cada uma das pessoas queridas em pensamento, entre um suspiro e outro. Aquela gente de branco passava e olhava como se já soubesse que não havia mais jeito. Pela manhã havia deixado no dois por dois os restos podres do que tinha comido na noite anterior. Começava a se lembrar das bicicletas andadas anos atrás. Das bolas chutadas, das bonecas seguradas.

Um som ritmado e pausado, fora a música triste que ouvia, perturbava, até que deixou de perturbar quando já não podia ouvir mais nada. A mãe segurou forte a sua mão pela última vez. Teve tempo apenas pra dizer "eu te amo". As três palavras que ouvia sempre, mas que não tinha a menor coragem de dizer diante de ninguém.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Sobre se comprometer

A cada lembrança sua é uma onda que percorre meu corpo e pára no meu coração, que na mesma hora começa a bater forte por alguns segundos. De repente pára e aí é um poço de bem estar. Um cheiro, um sorriso, uma palavra, um toque, um gosto, qualquer coisa que me lembre você, uma nova onda. A onda sufoca, é quente e muito rápida. Em resumo, a melhor das sensações. Mesmo pra mim, que não suporto fortes emoções. Essa é das fortes, mas agrada toda vez que me surge. E assim, ao longo do dia meu coração funciona e pára, funciona e pára. Até a hora de dormir, que é quando eu me deito tranquila e sonho coisas boas com você e comigo. Só nós, um vento gelado e uma porção de cores. Há quem diga que isso tudo se chama paixão. Eu digo que isso não é só paixão. É felicidade.

(eu não to nem aí. eu QUERO me comprometer)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O desenho

Era noite e o garoto se encontrava em desespero. Desespero por causa de um amor não correspondido. Desespero, porque a menina em questão nem sabia o que ele sentia. Na cabeça dele ela sabia de tudo e não lhe correspondia. Mentira. Todas as frases que ele havia dito a ela, que na cabeça dele eram tão claras e reveladoras, na dela não significavam nada. Ela não sabia.

O garoto enlouqueceu. À tarde bolou um plano genial. Genial na mente dos suicidas. Ele tinha decidido que aquela era sua hora. Não aguentaria viver nem mais um dia sem aquela menina, que, repito, nem sabia de nada. Ele só tinha 18. Ela 17. Pobre inconsequente de 18 anos. A solução lhe parecia simples. Acabar com tudo. Tudo mesmo. A vida não lhe fazia mais sentido. Era realmente simples. Foi em frente.

Já era umas 8 da noite quando quis colocar todo o seu plano genial em ação. Nos primeiros preparativos foi interrompido por um telefonema. Era ela. O coração quase saiu pela boca. Quem passasse veria sua camisa pulando do lado esquerdo do peito. Ela o chamou para sair. Tomar qualquer coisa em um bar ali perto. Ele quase não acreditou. Chegou a achar que era brincadeira. Teve a certeza de que ela estava brincando.

Não foi ao seu encontro e então colocou de fato seu plano em ação. A garota esperou por ele cerca de uma hora, quando decidiu ir até a casa dele, ali perto de onde combinaram, ver o que tinha acontecido. A mãe, sem saber de nada, pediu que a menina subisse até o quarto. Quando abriu a porta, o viu deitado no chão. Os pulsos cortados e a mão esquerda segurando uma carta.

"Eu te amo e você não quer saber de mim. Acabou de me ligar querendo brincar comigo. Duvido que você tenha ido ao meu encontro naquele bar. Eu duvido. Ainda assim te amo, mas agora acabou"

Aos prantos a menina tirou do bolso um desenho que havia feito dos dois. Um segurando a mão do outro. Deixou sobre seu corpo. Desceu as escadas e sem se despedir, nem falar nada, saiu correndo. Ninguém sabe o que aconteceu depois.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Ritmo

Hoje eu sonhei que te encontrava em um lugar colorido e você estava vestido de palhaço. Sorriu pra mim e segurou a minha mão. Não te beijei, porque sua boca estava coberta por uma espécie de luva cirúrgica(?). De repente nos separamos e recebi uma mensagem sua que me deixou arrepiada. Não só no sonho.

Não me lembro o que estava escrito, só me lembro que no meio da frase tinha a palavra "você". "Você" me emociona, como nunca antes.

A Karla precisa acordar desses senhos em ritmo infernal (ou não).

(que fique claro que a felicidade não me inspira, por isso o texto mais ou menos. na verdade era só pra eu não me esquecer desse sonho)

terça-feira, 7 de abril de 2009

Hum

Quando acordou no dia seguinte, a menina mal ligou para o cheiro forte de cigarro que dominava seus cabelos. Na cabeça flashes, músicas, mãos e olhos. Um zumbido que outrora pareceria assustador, desta vez só compunha a trilha sonora do dia que amanheceu nublado. Dias nublados são tão bonitos. Ninguém acha, mas eles têm sua beleza.

Mais tarde se sentou na cama e, sorrindo, pegou um espelhinho verde dentro da bolsa. Os olhos ainda pretos da última noite. Poderia dizer que os olhos falavam. E todo mundo percebeu. Eles falaram alto demais. Gritaram. Ainda no espelhinho verde admirou o próprio sorriso e com ar de satisfação se deitou.

Com a cabeça no travesseiro relaxou como nunca. Ainda sentia o cheiro do cigarro nos cabelos, mas nada incomodava. Dormiu, sonhou com flashes, músicas, mãos e olhos.

Soube agora que a menina aguarda.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Há 3 dias meu sangue passa rápido demais pelas minhas veias. Há 5 dias minhas pernas tremem. Há 7 dias minha cabeça não pára de pensar nas coisas que acontecem. Há 10 dias eu não consigo parar de sorrir por nada. Há 15 dias sinto uma vontade louca de andar pela rua de madrugada. Há 18 dias sinto necessidade de ter pessoas por perto. Há 1 dia desaprendi a contar os dias. Há uma semana minhas mãos suam. Há duas o calor é intenso e não passa por nada. Há 3 dias sinto uma imensa vontade de dançar.