terça-feira, 5 de janeiro de 2010

2010

No escuro tentei ler o livro que ganhei de Natal: "Minha fama de mau". O que será que ele quis dizer com isso? Enfim... As paredes, antes verdes, eram agora cinzas, por causa da falta de luz. A respiração deixava a chama da vela trêmula, e as frases se apagavam aos poucos, fazendo com que eu arregalasse os olhos, insistindo na leitura. Duas páginas depois decidi parar, porque a dor de cabeça já não me deixava entender uma palavra sequer. Me forcei a dormir, mesmo que sem sono.

Nada a fazer com essa falta de energia. Pegar o iPod uma hora dessas seria suicídio; tentar escrever alguma coisa seria ridículo, já que há tempos minhas mãos não acompanham o pensamento.

Me revirei, pensei nas coisas do já passado 2009 e conclui o quanto o ano novo vai ser difícil. A Karla é otimista e já no dia 5 de janeiro tem certeza absoluta de que tudo vai dar errado. Maldição dos anos pares. Sempre foi assim. Com a bochecha esquerda encostada no travesseiro, senti o coração batendo no corpo todo, sem motivo aparente. Dessa vez (só dessa) não era nada.

Já desesperada com a falta de sono e de luz, ouço um "PIII". Era o telefone anunciando que a energia tinha voltado. Eu então me levantei, coloquei o celular pra carregar e liguei o computador. Maldita vida moderna, que não me deixa viver sem o mínimo de tecnologia. Agora, pensando bem, talvez 2010 nem seja tão ruim assim. Era só o meu pavor de escuro. Que tudo acabe (ou comece) bem.