sábado, 27 de novembro de 2010

O guarda-chuva gigante

Chovia torrencialmente, quando a tarde ia embora, dando lugar à noite fria. Três garotas, desprotegidas, abrigaram-se então de baixo do guarda-chuva gigante de uma senhora vestida de preto. O objeto, que mais parecia uma grande tenda, era rosa, contrapondo-se àquele jardim sombrio.

As garotas contaram seus sonhos da noite passada, ainda com medo da velha, até então desconhecida. Já era noite quando a senhora decifrou todos eles e foi embora, deixando as meninas na chuva e no frio. Sentiram muito medo, mas lá permaneceram. Permaneceram até não se sabe quando. Talvez até um dos olhos se abrir e observar o quarto escuro.

domingo, 21 de novembro de 2010

Ontem, o ensaio

Hoje, 20 de novembro. Há quanto tempo não ouvia música alta, assim, espremendo o coração, ventilando os neurônios. Me sinto invisível na sala, e assim quero permanecer, enquanto os meninos e as meninas conversam sobre os tons e o andamento da música que acabaram de tocar. "Explode Coração". O meu explodiu pelo som e pelo prazer da companhia. Ver gente. Sem dúvidas era disso que eu precisava, pra assim esquecer o ano mais sofrido de todos os 21. A música começa outra vez e, agora, observo as cores das camisetas deles. Se eu tivesse um espelho aqui, com certeza veria os olhos brilhando de quem se sente feliz, mudada e bonita. Meus pés acompanham os instrumentos e sentem a vibração do chão. Quero música em minha vida, letras bonitas e instrumentos bem tocados.

(Texto escrito durante o ensaio da Vênus Ataca!, enquanto estava tudo bem)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

No armário

Era madrugada, por volta das 3h, quando a menina que ali tentava dormir há horas naquele grande e novo quarto se levantou. Foi direto ao armário, onde, segundo ela, não ouviria os barulhos da rua e esqueceria seus pensamentos atormentados. Levou consigo um lápis, pedacinhos de papel e uma velha lanterna que estava jogada em cima da mesa. O armário era grande e como, por enquanto, estava sem gavetas, era possível deitar-se facilmente ali dentro. Assim ela fez e, com cuidado para não acordar os velhos no outro quarto, fechou as portas.

Dentro do armário, a menina pôs-se imediatamente a apontar os papéis com a lanterna e a rabiscá-los desenfreadamente. Ela sentia ainda certa perturbação. Talvez fossem as roupas acima de sua cabeça, que vez ou outra encostavam sobre seus finos cabelos escuros. Depois de um tempo, 10, ou 15 minutos, sossegou e ai sim conseguiu desenhar o que via ali dentro. Monstros, borboletas e sapos surgiram nos papéis, assim como a mãe e o pai deitados em uma confortável cama (a mesma em que dormiam no quarto ao lado).

A menina passou duas horas dentro do armário, tempo suficiente para que as pilhas da lanterna acabassem. Ela então ficou aflita e decidiu se retirar do local. Pediu ajuda aos monstros, borboletas e sapos para que abrissem as portas, mas não obteve resposta alguma. Pensou então em tentar se acostumar ao escuro e ao silêncio. Os dedinhos pequenos se encontravam a todo momento, em sinal ao nervosismo que sentia. Mais uma vez tentou empurrar as portas, dessa vez sozinha, empregando toda a força que lhe fosse possível. Conseguiu.

Saiu do armário nas pontinhas dos pés, já exausta pela suposta aventura lá dentro. Decidiu deitar-se do outro lado da cama. Talvez assim conseguisse dormir mais rápido e melhor. Os desenhos guardou em baixo de uns livros de Ziraldo dentro da gaveta abaixo da mesa. Bebeu um copo de água e sonhou.

sábado, 13 de novembro de 2010

Novembro

De um jeito estranho, sinto uma paz de espírito, consigo dormir, sonhar tranquilamente. O nó na garganta persiste, mas agora as lágrimas não saem mais. Os olhos ardem de saudade, mas não há incômodo. O dia está lindo, cinza e gelado. Não sei se é injusto com o momento, mas me sinto bem, só não consigo sorrir facilmente. Mais do que nunca, quero abraçar.

domingo, 7 de novembro de 2010

Pai

Volte a sorrir e andar ao meu lado. A saudade que eu sinto já não posso mais medir. Te tenho aqui dentro, mas a sua ausência me massacra todos os dias . Já não posso mais ver o seu sangue, seu peito cansado, ouvir suas palavras desconexas sem sentir a maior tristeza do mundo. Eu e todos à sua volta estamos impotentes, fracos e cansados, desejando todos os dias que você volte pra gente. Feche um pouco os olhos, durma e sonhe com o seu futuro. Esquece essa dor, que hoje não é mais só sua. Fique tranquilo, que nós ficaremos também.

"Aponta pra fé e rema"

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sobre conseguir dormir

1 Donaren + 1/2 Rivotril

1 carneirinho
2 carneirinhos
3 carneirinhos
4 carneirinhos
5 carneirinhos
6 carneirinhos
7 carneirinhos
8 carneirinhos
9 carneirinhos
10 carneirinhos
11 carneirinhos
12 carneiri...

ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Manhã

Acordo cedo e abro a janela do quarto para olhar a manhã. A claridade é tamanha que meus olhos se abrem e fecham apressadamente, até encontrarem o conforto pousado em um gato que se espreguiça na janela da frente. O silêncio seria absoluto , não fossem os caminhões destrambelhados passando pelas lombadas da rua. Fito o dia por mais alguns minutos, até a cabeça começar a doer pelo clarão. Me recolho ao chuveiro. Agora sim, o barulho da água batendo no corpo e no chão fazem a cidade se calar. Eu continuo olhando os carros. Agora, porém, cruzando a 23 de Maio. Não sinto frio, nem calor, apenas o aconchego dos pingos e o prazer de avistar um avião pousando logo ali.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Céu

(O ritmo já não me parece infernal)


Daqui eu vejo o céu assim. Já sem saudades do outro lugar, cheio de intervenções, fios, gatos, paredes sujas, lençóis pendurados.

Abro um livro e sento à janela, iluminada pelo sol que já vai se pôr.

Estranha paz de espírito. Querer bem.