quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Feliz ano novo

2015 me obrigou a fazer um textão. O que posso dizer desse ano é que foi um dos piores da minha vida, mas também um dos que mais me ensinou. Como dizem, há males que vem para o bem. E agora, quase um ano depois de tudo ter começado, me sinto mais ou menos preparada para falar sobre o assunto abertamente. Também porque acho importante as pessoas saberem que não se deve negligenciar a própria saúde.
No fim de 2014 e começo de 2015 eu estava com uma tosse praticamente insuportável. Por conta da rotina maluca de trabalho, demorei a procurar um médico para saber o que estava acontecendo. Quando fiz isso, fui a um clínico geral, que simplesmente me disse ter a certeza de que isso não passava de refluxo, coisa que nunca tive. Me pediu uma endoscopia e só. Me passou também alguns remédios para a tosse parar. Mas, como não resolveram, fui parar em um pronto-atendimento. Só aí me fizeram um raio-x, que mostrou uma mancha grande no meu pulmão. Suspeita de tuberculose. No fim das contas, não era tuberculose, mas um linfoma de Hodgkin no mediastino, que só foi confirmado quase um mês depois, após ter passado por exames que nem sabia que existiam.
Como disse um médico, eu tive sorte, porque este é um câncer com grande probabilidade de cura. Mas é difícil acreditar que se tem sorte quando sua biópsia te diz que você tem uma doença tão grave assim. Com o resultado em mãos, fiquei sabendo que meu problema seria resolvido com radioterapia (17 sessões) e quimioterapia. 
Junto com a quimioterapia, uma série de consequências, como por exemplo, a possibilidade de não poder ter filhos. Isso sim foi sorte, poder pagar por um congelamento de óvulos, coisa que acredito que muita gente não tenha como. Além disso, o fato de perder o cabelo após algumas sessões (foram quatro ciclos, cada um com duas sessões). Ouvi muitas pessoas falando “mas o cabelo é o de menos, ele cresce depois.” Sim, ele realmente cresce depois, mas o que posso dizer é que o cabelo não é o de menos quando se está no banho e ele sai praticamente inteiro na sua mão. Também não posso dizer que é o de menos, porque quando você opta por não usar peruca, nem lenço, muita gente te olha com cara de horror quando você resolve apenas dar uma volta no shopping. Fora as bolsas de sangue por conta da anemia, enjoos, baixa imunidade e um monte de outras coisas que acontecem quando você está em um tratamento desses.
No fim do ano passado eu escrevi aqui, brincando, que desejava um pouco menos de tosse em 2015. Felizmente, tudo deu certo e meu desejo está concretizado. Após meses extremamente difíceis de privações e mal-estar, meu linfoma está controlado. Me resta agora ir ao médico e fazer exames pelos próximos cinco anos, até ter alta.
Depois de tudo isso, se posso dizer algo, é que as pessoas não deveriam deixar o que quer que seja para depois. Se eu tivesse esperado mais, acho que as coisas poderiam não ter dado tão certo quanto deram. 
Que 2016 seja um ano leve, de vida normal e com muitos shows, porque sim, doeu muito não poder ir ao Lollapalooza. Obrigada pela paciência!